6+5.
6+5 começou a aparecer nos jornais há uns tempos atrás. Proposto pela FIFA, este novo regulamento preconiza que em cada 11 titular, 6 jogadores tenham que ser nacionais, e 5 possam ser estrangeiros. Antes de mais, e uma vez que esta norma provém da FIFA, fiz um cálculo rápido. 6+5 igual a 11. Bom. Pelo menos não alteraram o número de jogadores em campo.
Pensei uns tempos nesta proposta, e até me parece interessante. Pelo menos, previligia a utilização de jogadores nacionais. Mas, rapidamente, surgiram-me algumas dúvidas e outras conclusões não tão boas. Uma das dúvidas, passa pelas substituições. Se o jogo começa com 6+5, qualquer jogador substituido tem que ser do grupo (nacionais / não nacionais)? E se o primeiro guarda redes é Português, e o segundo não o é? O que acontece então? E os jogadores naturalizados? São considerados portugueses, certo? Voltamos então àquela fase de jogadores de futebol a casarem rapidamente com uma qualquer nacional do país para onde vão jogar. É esse o objectivo da FIFA? E as contratações? Os clubes passam a comprar A só porque conta como nacional, em deterimento de B, que por acaso até é melhor, e mais barato? Não me parece que seja assim que se incentiva o futebol.
Passado algum tempo, fiquei descansado. A UE acha que este regulamento condiciona a livre circulação de pessoas dentro dela.
Em resposta a UEFA (tenho que dar os parabéns ao Platini) responde com uma proposta que “…é necessário prosseguir com esforços de modo a atingir os objectivos propostos pela regra 6+5 (i.e. não a regra 6+5 em si mesma)…”. Estes esforços têm como base a proposta (ainda não percebi se é regra ou não) que no plantel de cada clube estejam 8 jogadores formados localmente, independentemente da sua nacionalidade. Já me parece bastante mais correcto. Não condiciona a composição do onze titular, e obriga os clubes a apostarem na formação, e não só a comprarem o que entendem. Falta, no entanto definir o que são jogadores formados localmente. São jogadores que jogam pelo menos 1 ano nos juniores? Ou são jogadores que treinam há 3, 4 ou 5 anos no país?
Resta esperar… mas pelo menos parece-me que vamos no bom caminho.
Miguel Pastor
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